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Peripécias da Mari 4: vaniljhjärtan, tortinha de blueberry e a falta da manteiga

Eu confesso que em algumas receitas eu diminuo a manteiga! Eu sinto uma certa dor na consciência de saber a quantidade de manteiga que leva, rs; mas ao mesmo tempo, sei que é importantíssimo usar a quantidade certa, Julia Child que o diga!

E hoje, acordei com aquela vontade de fazer alguma receita diferente e tinha que ser algo que nunca fizera e, de preferência, estreiando algo que ganhei e ainda não havia usado!

Separei os ingredientes e quando percebi, a receita pedia 200g de manteiga! Abri o armário (sempre deixo manteiga em temperatura ambiente – lembre-se: moro na Suécia, posso fazer isso por mais tempo!), peguei o potinho e…tinha cerca de 90g! Teimosa que sou, continuei…claro que não estava dando ponto, apelei para a manteiga com sal, porém fiquei com medo de ficar adicionando muito e interferir no sabor final.

A massa foi para geladeira para resfriar, e enquanto isso, preparei o creme de baunilha. Claro que mesmo resfriada a massa não deu o ponto certo e continuei a teimosia até fazer 3 vaniljhjärtan. Quando tive a grande idéia de fazer tortinhas de baunilha e blueberry. Acho que fui melhor sucedida! Tem futuro a receita, mas da próxima vez usarei 200g, rs!

Mas só para situá-los, vaniljhärtan são tortinhas em formato de coração recheadas com creme de baunilha. Meses atrás, quando comecei a série “Doces Suecos“, resolvi experimentar e fiquei apaixonada pelo doce. Na confeitaria e nos supermercados, era vendida numa forminha em formato obviamente de coração. Fiquei semanas procurando as tais forminhas, mas nunca encontrava.

Olha aí as forminhas de papel...esses são do supermercado!

Comentava com várias pessoas sobre as tais formas e num  belo dia, passeando com a Raíta e a Luciane em Borlänge, Raíta encontrou as formas, porém não em papel. Peguei um pacote e Raíta logo correu dizendo: vou te dar de presente!! Fiquei muito feliz e estava louca para experimentar a receita e claro fazer para Raíta, nada mais justo já que ela me deu as formas. Infelizmente, ela voltou ao Brasil antes de experimentar meu vaniljhärtan (na verdade, acho que ela foi bem sortuda, não será cobaia, rs)

Vaniljhjärtan

fonte: Sju sorters kakor

rendimento 16

Ingredientes – dl=100ml

4 dl farinha de trigo

1 dl de farinha de batata (potatismjöl)

 ½-1 dl de açúcar

200g de manteiga

Creme de baunilha

1 -½ dl de creme de leite

1 gema de ovo

2 colheres de chá de açúcar

1 colher de sopa de farinha de batata

2 colheres de chá de baunilha

Cobertura

Açúcar de confeiteiro

Modo de preparo

1. Unte as forminhas em formato de coração e reserve; pré-aqueça o forno a 200 C;

2. Misture as duas farinhas e o açúcar numa travessa. Colocar a manteiga picada e misturar tudo até formar uma massa lisa. Deixe a massa na geladeira por alguns minutos;

3. Numa panela, coloque todos os ingredientes do recheio numa panela, exceto o açúcar de baunilha. Cozinhe mexendo sempre, até engrossar. Retire do fogo e acrescente o açúcar de baunilha, misture e reserve;

4. Abra a massa bastante espessa. Coloque nas formas e preencha com o creme e cubra com outra parte da massa aberta. Asse na parte de baixo do forno por cerca de 15 minutos;

5. Desenforme delicadamente enquanto estão quentes. Deixe esfriar e peneire o acúcar de confeiteiro por cima.

Para fazer as tortinhas, coloque a massa em formas individuais e acrescente o creme de baunilha e por cima coloque blueberries.

meu projeto de vaniljhärtan

As tortinhas ficaram boas!!

Escolhas

Desde que li o post “Que conselho mudou sua vida?” do blog da Fernanda, me senti motivada a escrever sobre algo que já foi fonte de grande  incomodo, mas que aos poucos fui aprendendo a deixar pra lá e rir da situação; aprendi a ver o quanto tinha evoluido e pronto!

Quando anunciei que viriamos para a Suécia, observei as mais variadas reações: de espanto, alegria, questionamentos, encorajamento…frases do tipo: “mas, você vai largar seu emprego”?, “você não vai aguentar dois meses”, “não sei o que faria no seu lugar” foram comuns…mas também ouvi: “vou sentir muita falta sua por aqui”, o que é algo muito bom de se ouvir, convenhamos!

A decisão de mudar para a Suécia foi feita em conjunto e, EU escolhi acompanhar meu marido. Em momento nenhum larguei minha profissão pra sempre. Achei que essa oportunidade seria importante para o MEU crescimento pessoal e sabia que isso seria interessante para a carreira do meu marido, não que não ligue pra minha, mas acreditei que seria uma experiência boa.

Algumas pessoas que tem acesso a meu facebook e sabem que ainda estou na Suécia vivem me perguntando: aonde você está? ainda está na Suécia? virou dona de casa? Duas coisas:  morar no exterior não significa que você virou nômade, e agora entro no “x” da questão. SIM, estou no momento como dona de casa, mas de novo, não significa que serei dona de casa eternamente; e outra, se eu ficar como dona de casa pra sempre? ninguém tem nada com isso e, não serei pior nem melhor do que qualquer pessoa.

Desde que eu casei virei dona de casa; tinha dupla jornada: trabalhava fora e cuidava da casa. Não tenho vergonha nenhuma em admitir isso; mas pelo visto existem pessoas que se acham mais importantes por não colocarem a mão na massa e limpar um banheiro. Sabe o que aprendi morando na Suécia? a não ter vergonha de colocar a mão na massa; aqui, não tem ninguém pra fazer sua faxina e mesmo que você quiser será caro e não ficará como você quer.

Logo no início da mudança me sentia mal por ser “apenas uma dona de casa”; ficava triste, parecia que nunca fazia nada de útil. A auto estima ficava lá embaixo; aos poucos fui aprendendo a deixar pra lá. Acho que a pior parte foi quando ouvi: como vai a vida de gastar dinheiro?…É, realmente minha vida é de madame que não faz nada e só gasta o dinheiro do marido, aff…. foi péssimo, me senti um lixo…mas acho que a pessoa se equivocou e não falou por mal, porém aquelas palavras já tinham entrado no meu peito como um punhal. Demorei um tempo até esquecer e achar engraçada essa história.

Aprendi que o ser humano se adapta a tantas situações e vive numa boa. Claro que sinto falta da minha casa e minhas coisas que ficaram no Brasil, afinal tinha apenas 4 meses de casada quando surgiu a oportunidade e ainda estava em fase de arrumação do apartamento. Aqui não tenho alguns  luxos que ficaram no Brasil, mas aprendi a conviver com isso e levar a vida da melhor forma. Não tenho vergonha de admitir que depois de muito apanhar pra fazer limpeza (em breve um post sobre isso) exigi do meu marido um aspirador de pó e um varal de roupas maior (pois, estava de saco cheio de esperar as roupas secarem na lavanderia). Enquanto exigi o minimo, outras por ai exigiriam uma área de serviço ultra mega moderna (o que aqui em casa é impossível): gente…não podemos ter tudo a toda hora e é preciso aprender a usar o que temos. É óbvio que o varal não melhorou minha vida em 100%, mas minha vida ficou mais fácil em 50% o que já é muito bom. Pra muitos isso é pouco, um varal…é de dar risada, mas pra mim não. Hoje dou muito valor àquelas que viraram donas de casa, é um trabalho que ninguém dá valor e nunca termina; sua mãe ou esposa é dona de casa? dê valor a roupa limpinha, a casa cheirosa e a comida quentinha na hora que você precisa…não é nada fácil pra ela!

Pra finalizar, não me arrependi de nenhuma decisão tomada nestes últimos dois anos e muito menos de ter vindo pra Suécia; não me arrependo de neste momento estar me dedicando a minha casa postiça. E para deixar registrado AINDA moro na Suécia, SOU dona de casa e aspirante a fotógrafa, cozinheira, blogueira, artesã, cantora de banheiro…

Peripécias 3: muffin de açafrão

Confesso que ainda estou em ritmo de férias e também ando sem muito assunto. Faz poucos dias que retornamos para Suécia e não tenho feito minhas “andanças” pelo bairro atrás de assunto. Os termômetros estão baixos, espantando um pouco essa vontade de passear; uma pena, pois tem feito dias ensolarados, cheios de vida neste ambiente gelado.

Pra quem acompanha o blog, ficou sabendo de um concurso de receita via net que eu havia ganho no ano passado e também sobre minha descoberta do açafrão. Ok, vocês devem estar se perguntando o que uma coisa tem haver com a outra, certo? Pois bem, eu ganhei duas caixas de tempero para paella que deixei guardado para quando um dia quem sabe fazer uma paella. Chegando no Brasil, tive curiosidade de olhar novamente o tempero e adivinha só o que era? yes, Açafrão!!!!!! Nunca poderia imaginar que aquele tempero fosse usado no preparo de muffins e pães doces!!! Aliás, algumas pessoas olharam espantadas pra mim quando comentei que aqui era utilizado em doces!

Outra adivinha: sabe o que eu fiz com um sache do açafrão??

Muffiiiinssss!!!!

Sim, muffins! tá certo que não deu tão certo a receita Sueca no Brasil; na minha opinião ficou seco, quem experimentou diz que gostou…mas vai saber!? rs. Mas o mais gostoso foi sentir novamente aquele gostinho, rs.

Claro que trouxe os saches de açafrão comigo, desta vez não vão ficar de bobeira dentro do armário, não!! rs

Até mais!

Muffin 2: a revanche!

Neste domingo resolvi que seria o dia da revanche! Mas desta vez, não parti para briga despreparada! Estava munida de uma batedeira novinha e uma receita Sueca!

Minha batedeira nova!!!Optei por uma que estava num caderninho de receitas que fica disponível no supermercado (aliás, o que não falta é esses caderninhos espalhados pelos mercados; fiquei viciada, não posso ver que já saio pegando!)

A receita na verdade era de cupcake, porém não preparei o recheio e claro, queria a minha revanche! rs

Desta vez ficou bom, gostei da textura e do sabor do bolinho. Tenho a impressão de que as receitas de cupcakes Suecas são mais leves do que as Americanas; parece que utilizam menos gordura.

  • A medida utilizada foi de 100 ml;
  • Usei morangos congelados ao invés de framboesa ou blueberries;
  • Rende entre 12 – 14 bolinhos.

mundodamari022Cupcake de Framboesa e Blueberries

Ingredientes

50g de manteiga

3 ovos

2 xícaras de açúcar (2dl)

1 xícara de leite (1dl)

4 xícaras de farinha de trigo (4dl)

2 colheres de chá de fermento em pó (medida 10ml)

4 xícaras de framboesa frescas ou blueberries (4dl) * utilizei morangos congelados

Recheio (*não fiz)

250g de coalhada

2 colheres de sopa de purê de framboesa ou blueberries

1 xícara de açúcar de confeiteiro (1dl)

Modo de preparo

Pré-aqueça o forno a 225˚. Coloque as formas de papel em uma forma para muffins. Derreta a manteiga; bata os ovos e o açúcar até ficar cremoso. Adicione o leite e a manteiga. Bata mais um pouco. Acrescente a farinha, as frutas e por último o fermento, mexa delicadamente. Asse em forno médio por cerca de 15 minutos (*os meus ficaram cerca de 20 minutos)

Enquanto esfriam, misture os ingredientes do recheio. Corte um cone no topo do muffin coloque o recheio e recoloque a tampa.

mundodamari021

Cupcakes med hallon och blåbär

50g smör

3 ägg

2 dl strösocker

2 dl mjölk

4 dl vetemjöl

2 tsk bakpulver

4 dl färska hallon och blåbär

Fyllning

250g Arla Köket kesella® kvarg

2 msk mosade hallon eller blåbär

1 dl florsocker

  1. Sätt ugnen på 225˚. Ställ ut stora pappers-formar på en plåt.
  2. Smält smöret. Vispa ägg och socker pösigt. Tillsätt mjölk och smör.
  3. Blanda mjölk och bakpulver och rör ner det i smeten. Rör i bären.
  4. Klicka ut smeten i formarna. Grädda i mitten av ugnen ca 15 min. Låt muffinsen svalna.
  5. Blanda ingredienserna till fyllningen.
  6. Skär ett strutformat hål i varje muffins. Lägg i fyllningen och sätt tillbaka locket.

Fonte: Arla Köket sommar nr:2/09 Middag i bersån

Peripécias 2: um muffin chamado desastre!

Desde a primeira visita à Suécia, tive vontade de preparar muffins, porém, devido as dificuldades iniciais, fui prolongando. Depois de uma semana com muitos acertos culinários resolvi que era hora de voltar a fazer muffins.mundodamari016

Como gosto de testar novas receitas, fui atrás de uma que tivesse frutinhas (vermelhas, bluberries e afins). Achei uma que não precisava de batedeira e coloquei a mão na massa. Separei todos os ingredientes, estava toda cuidadosa e, até me surpreendi com a minha organização! (geralmente faço uma bagunça, rs).

mundo da mari012Segui a receita a risca, separei os ingredientes secos dos úmidos e quando fui juntá-los aff, que gororoba, tentei consertar, mas acho que foi pior, rs.

Resultado: um muffin, estranho com casca de pão (:?); acabou virando um muffin salgado! O açúcar que utilizei é de beterraba e fez diferença quando juntei com o sal; ele acaba não adoçando muito, mas se colocar demais fica ruim. O sal é o mesmo do Brasil, porém um tiquinho diferente é mais granulado e parece que salga mais com pouco.

Além da dificuldade com os ingredientes, eu comprei uma xícara e colheres medidoras diferente das que uso e acho que isso também fez diferença com relação a farinha de trigo.mundodamari013

Tenho certeza de que a receita que peguei era boa, o problema foi a inexperiência da cozinheira com relação aos ingredientes e as medidas de cada um. Mas antes ter errado num dia comum, do que estar esperando visita e acontecer essa tragédia :)

mundodamari015Lições do dia:

Tomar cuidado com a xícara medidora nas receitas que fazia no Brasil;
Aprender a dosar o açúcar e o sal.

 

 

 

ps: conversando com minha mãe e minha tia comparamos as medidas e a que usamos no Brasil é beem maior (240ml)  comparado com a que comprei (100ml).

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Peripécias 1

Todo mundo alguma vez já precisou usar uma máquina de lavar roupas, certo? Mesmo quem nunca usou, vez ou outra já viu alguém usar ou senão acaba indo por dedução ou lê o manual!! (raro, hein?). Eu confesso que nunca havia usado uma antes de casar!?

Bom, e se a máquina e as instruções estiverem em sueco?? É, a coisa complica um pouquinho. Considerando a lavanderia (aqui no apart), acima da máquina de lavar existe um adesivo com um resumo de suas funções; eis que resolvi tirar uma foto do dito cujo e traduzir tudo (!?). Depois de um tempo perdido (nem tão perdido assim) percebi que a coisa era mais fácil do que pensava e quando voltei para a foto nem parecia coisa de outro mundo e pensei: “era isso?”.

Instruções

Pois bem, peguei as roupas, o sabão, minhas anotações e fui cheia de cara e coragem para a lavanderia. Chegando lá, todo aquele esquema, roupa na máquina e sabão… dou uma olhadinha nas minhas anotações e começo a operar a máquina. Depois de tudo programado aperto start e…nada (!?). Depois de 3 tentativas frustradas, passou a mulher da limpeza, e claro que resolvi pedir ajuda.

Arrisquei meu inglês e a mulher nada, pior, muito menos sabia como operar a máquina (!?). Apontei para o quadro e ela resmungou algumas coisas em sueco (como se estivesse lendo) apertou milhares de botões e naquele momento eu pensei: será que ela fugiu da escola e não sabe ler Sueco direito?? Eu que não sei nada consegui traduzir as instruções e não fiquei apertando todos os botões!

Depois de um tempo de decepção e alguns resmungos, descobri que não havia fechado a porta adequadamente!? (Eeeeh cabeçuda, como alguns diriam). Enfim, a felicidade voltou a reinar e consegui enfim lavar as roupas! Ainda não estou dominando a “arte de lavar roupas” na Suécia, porém não precisaremos virar o lado das calcinhas e cuecas! (argh!)

A dita cuja!

Na Suécia também tem a famosa "gambiarra"