Hoje, convido uma pessoa muito especial para escrever sobre a “Informalidade Sueca”!
A informalidade sueca - por Maxwell F. Pinto
É muito comum se confundir a Suécia com outras partes do mundo. Dizem que a maioria dos norte-americanos acredita que quase toda a América do Sul forma o Brasil, cuja capital é Buenos Aires. Do mesmo modo, diz-se que, para eles, toda a Escandinávia é um mesmo país, chamado Suíça. Ignorâncias geográficas a parte, jamais poderia imaginar que as tratativas pessoais na Suécia fossem tão informais. Em minhas parcas experiências internacionais, erroneamente fui levado a crer que a tratativa sueca fosse parecida com a alemã. Os alemães são muito formais e impessoais, especialmente em relações profissionais. Tratam as pessoas pelo sobrenome e pelo cargo hierárquico ou profissional que exercem. Pessoalmente, não me sinto a vontade quando sou tratado como “Engineer Pinto”! Especialmente se este tratamento se mantém por meses a fio. Trata-se de algo muito distante do jeito brasileiro…
Não me cabe julgar os povos europeus e o propósito deste texto está distante deste. Meu propósito é salientar minha ignorância e meu preconceito. Ao ser convidado a trabalhar na Suécia, preparei-me para a “formalidade alemã” e me deparei com a “informalidade sueca”. Nunca ouvi meu sobrenome onde trabalho. Escuto estrondosas risadas todos os dias, as salas de café estão sempre cheias de suecos rindo e conversando sobre os assuntos mais diversos. Ternos? Gravatas? No ambiente de trabalho? Não na Suécia. Usa-se jeans, tênis e camiseta. Se nas relações profissionais são assim, nas pessoais não poderiam ser diferente. De modo geral as pessoas são muito simpáticas. “Jag prata inte Svenska” (Não falo sueco). “OK, no problem!” Conversa-se em inglês. Problemas com o cardápio em sueco sem tradução para o inglês? O garçom traduz. Dúvida sobre o que pedir? O garçom te ajuda. Precisa de mais tempo para pensar? Sem problemas, fique a vontade. Recebeu um convite para visitar a casa de algum amigo sueco? Leve flores, entre, tire os sapatos, tome café na mesa da cozinha e relaxe.
Não acredito que todos concordem, mas minha experiência indica que na Alemanha seria bem diferente… Camisas e gravatas perfeitamente passadas. Sapatos exibindo lustre recente. Silencio absoluto e imperativo. Pessoas sérias e concentradas. Boa sorte se não fala alemão. Seja rápido em apontar algo para o garçom antes que ele perca a paciência e deixe você falando sozinho. Amizade? Convite para visitar a casa de alguém?… Sente e espere!
Novamente reitero que este texto é apenas a opinião de um observador despretensioso e supostamente isento. Descobrir a informalidade sueca me fez ver como o preconceito pode ser danoso e como é importante controlá-lo aos menores índices possíveis. Além disso, deixa exposta uma das razões pelas quais a Europa é o berço da civilização. A Europa é muito maior que limites geográficos e muito mais rica que seus castelos e palácios centenários. A riqueza européia está na diversidade do material humano.
Belo texto, acompanhando a vida de vcs por aí e enchendo o saco de tanto querer saber sobre o “modus vivendi” sueco agora vc “entregou” o ouro, imagino que com a chegada da nova estação as coisas irão melhorar mais ainda…..
Obrigado pelo “belo texto”. As coisas aqui são muito tranquilas, e talvez o maior problema seja este: é tranquilo até demais.
Nossaaaaaaaaaaaaaaaaaaarrassou hein Maxwell !
To saindo da alemanha e to indo morar aí!
hahahha
Aqui é assim mesmo…rs…Concordo com vc!
abracao primosssssss!!
pi
Pri…“bora” morar pra cá….
Oi Prima, não tenho absolutamente nada contra os alemães. Muito pelo contrário, tenho muita admiração pela música, literatura, filosofia e cultura alemã de forma geral. Mas como você sabe bem, eles não são fáceis…
Minha experiência na Suécia resume-se ao comércio, academia e na rua. Como em todo lugar existem pessoas simpáticas e digamos “não-simpáticas”. O que vejo, algumas vezes são pessoas de cara fechada, séria principalmente pessoas de mais idade; talvez num passado distante, a Suécia foi parecida com a Alemanha com regras e formalidades.
Entretanto, já aconteceu de eu cumprimentar uma pessoa mais idosa e receber um simpático sorriso.
Na academia acontece quase a mesma coisa que no Brasil, você cumprimenta, as pessoas te cumprimentam (a única diferença pra mim é que frequentava uma academia pequena, e aqui é bem maior).
Semana que vem completamos 6 meses de Suécia; neste tempo posso dizer que nunca fui alvo de preconceito, não sei se pessoas de outras nacionalidades sofreram algum preconceito.
Mas acontece isso mesmo que foi descrito no texto, não consegue se comunicar em sueco, vai inglês. O inglês não é tão bom? dá-se um jeito, faz uma mímica e vamos que vamos. Os suecos não discriminam pq sai um inglês mediano. Talvez pq estamos numa cidade pequena e cheia de estrangeiros facilite um pouco as coisas.
Nossa adorei o texto, ver como tem um povo, que se julga frio no entanto como vc mesmo diz são afáveis e informais, deve ser bom se sentir bem quisto numa nova patria, sem que haja motivos para se sentir, inferior, menosprezado ou mesmo discriminado. Muito bom quem sabe eu não de um pulinho na Suécia hehehe