Archive | Março 29, 2010

Dez coisas sobre a Suécia 5: informalidade sueca

Hoje, convido uma pessoa muito especial para escrever sobre a “Informalidade Sueca”!

A informalidade sueca - por Maxwell F. Pinto

É muito comum se confundir a Suécia com outras partes do mundo. Dizem que a maioria dos norte-americanos acredita que quase toda a América do Sul forma o Brasil, cuja capital é Buenos Aires. Do mesmo modo, diz-se que, para eles, toda a Escandinávia é um mesmo país, chamado Suíça. Ignorâncias geográficas a parte, jamais poderia imaginar que as tratativas pessoais na Suécia fossem tão informais. Em minhas parcas experiências internacionais, erroneamente fui levado a crer que a tratativa sueca fosse parecida com a alemã. Os alemães são muito formais e impessoais, especialmente em relações profissionais. Tratam as pessoas pelo sobrenome e pelo cargo hierárquico ou profissional que exercem. Pessoalmente, não me sinto a vontade quando sou tratado como “Engineer Pinto”! Especialmente se este tratamento se mantém por meses a fio. Trata-se de algo muito distante do jeito brasileiro…

Não me cabe julgar os povos europeus e o propósito deste texto está distante deste. Meu propósito é salientar minha ignorância e meu preconceito. Ao ser convidado a trabalhar na Suécia, preparei-me para a “formalidade alemã” e me deparei com a “informalidade sueca”. Nunca ouvi meu sobrenome onde trabalho. Escuto estrondosas risadas todos os dias, as salas de café estão sempre cheias de suecos rindo e conversando sobre os assuntos mais diversos. Ternos? Gravatas? No ambiente de trabalho? Não na Suécia. Usa-se jeans, tênis e camiseta. Se nas relações profissionais são assim, nas pessoais não poderiam ser diferente. De modo geral as pessoas são muito simpáticas. “Jag prata inte Svenska” (Não falo sueco). “OK, no problem!” Conversa-se em inglês. Problemas com o cardápio em sueco sem tradução para o inglês? O garçom traduz. Dúvida sobre o que pedir? O garçom te ajuda. Precisa de mais tempo para pensar? Sem problemas, fique a vontade. Recebeu um convite para visitar a casa de algum amigo sueco? Leve flores, entre, tire os sapatos, tome café na mesa da cozinha e relaxe.

Não acredito que todos concordem, mas minha experiência indica que na Alemanha seria bem diferente… Camisas e gravatas perfeitamente passadas. Sapatos exibindo lustre recente. Silencio absoluto e imperativo. Pessoas sérias e concentradas. Boa sorte se não fala alemão. Seja rápido em apontar algo para o garçom antes que ele perca a paciência e deixe você falando sozinho. Amizade? Convite para visitar a casa de alguém?… Sente e espere!

Novamente reitero que este texto é apenas a opinião de um observador despretensioso e supostamente isento. Descobrir a informalidade sueca me fez ver como o preconceito pode ser danoso e como é importante controlá-lo aos menores índices possíveis. Além disso, deixa exposta uma das razões pelas quais a Europa é o berço da civilização. A Europa é muito maior que limites geográficos e muito mais rica que seus castelos e palácios centenários. A riqueza européia está na diversidade do material humano.