Archive | Março 2010

Fim do monopólio sobre medicamentos

Em fevereiro, escrevi sobre a venda de remédios na Suécia, porém ocorreram mudanças recentemente.

Recordando: a venda de remédios na Suécia era feita por uma única empresa a Apoteket, que é estatal.

A primeira mudança ocorreu em novembro de 2009 com a  liberação da venda  de remédios que não necessitam de prescrição médica em lojas e supermercados. Além disso, neste mesmo mês 465 das 900 lojas da Apoteket foram vendidas para 4 empresas Suecas e com isso ocorreu a segunda mudança: o fim do monopólio estatal!

O governo sueco alega que essa medida irá baixar os preços, melhorar o atendimento, aumentar o número de farmácias e disponibilidade de medicamentos ao público. De fato, a Suécia tem um número de farmácias por habitante abaixo da média, comparando a outros países europeus.

A primeira empresa a entrar no mercado é a Medstop, que já possui 62 lojas nas regiões de Mälardalen, Göteborg e Skåne.

Crítica: Os opositores da privatização têm criticado a desregulamentação do setor, alegando que a maioria das novas farmácias são propriedade de empresas de capital de risco sediadas em paraísos fiscais. (Até aqui??!!)

Fonte: The Local

Moqueca de Camarão Globalizada!

No domingo passado (23/03) recebemos nossos amigos de El Salvador (Lidia e Gerardo), para o almoço e, adivinha o que preparei? Huuummm…moqueca de camarão.

Aqui na Suécia, mudei apenas uma coisa: o tomate. Utilizei um molho pronto com sabor chilli e alho; além disso, o leite de coco usado era mais consistente, com cerca de 60% de polpa de coco, resultando num molho mais cremoso e saboroso! surpreendente!!!

Mas agora vocês querem saber por que Moqueca de camarão globalizada, certo? Este nome, dado pelo meu pai, surgiu enquanto contava pra ele e para minha mãe a origem dos ingredientes; acreditem ou não, nenhum ingrediente utilizado é da Suécia (!!). O molho de tomate é da Itália, os pimentões da Holanda, a cebola e o alho da Espanha, o leite de coco da Tailândia, o limão do Brasil e os camarões da Groenlândia. E viva a globalização!

Moqueca de Camarão

Ingredientes

1kg de camarão limpo

1 pimentão vermelho

1 pimentão amarelo

1 pimentão verde

1 vidro de molho de tomate

1 vidro de leite de coco

1 cebola média

2 dentes de alho amassado

pimenta branca e preta a gosto

sal a gosto

1/2 pimenta vermelha sem sementes

1/2 suco de limão

Azeite de oliva

Modo de Preparo

Se necessário, limpe os camarões e tempere com o limão. Pique a cebola, corte os pimentões e a pimenta vermelha em pedaços pequenos. Coloque numa panela média/grande azeite e refogue a cebola e o alho amassado. Acrescente o molho, pimentões e a pimenta vermelha, deixe cozinhando por alguns minutos; adicione o camarão e o leite de coco. Vá acertando o tempero com as pimentas e deixe cozinhando por mais algum tempo.

Sirva com arroz branco!

Ps: algumas coisas faço no famoso “olhometro”, por isso não sei ao certo quanto tempo deixar cozinhando, vou olhando, experimentando e no fim dá tudo certo!!

Dez coisas sobre a Suécia 5: informalidade sueca

Hoje, convido uma pessoa muito especial para escrever sobre a “Informalidade Sueca”!

A informalidade sueca - por Maxwell F. Pinto

É muito comum se confundir a Suécia com outras partes do mundo. Dizem que a maioria dos norte-americanos acredita que quase toda a América do Sul forma o Brasil, cuja capital é Buenos Aires. Do mesmo modo, diz-se que, para eles, toda a Escandinávia é um mesmo país, chamado Suíça. Ignorâncias geográficas a parte, jamais poderia imaginar que as tratativas pessoais na Suécia fossem tão informais. Em minhas parcas experiências internacionais, erroneamente fui levado a crer que a tratativa sueca fosse parecida com a alemã. Os alemães são muito formais e impessoais, especialmente em relações profissionais. Tratam as pessoas pelo sobrenome e pelo cargo hierárquico ou profissional que exercem. Pessoalmente, não me sinto a vontade quando sou tratado como “Engineer Pinto”! Especialmente se este tratamento se mantém por meses a fio. Trata-se de algo muito distante do jeito brasileiro…

Não me cabe julgar os povos europeus e o propósito deste texto está distante deste. Meu propósito é salientar minha ignorância e meu preconceito. Ao ser convidado a trabalhar na Suécia, preparei-me para a “formalidade alemã” e me deparei com a “informalidade sueca”. Nunca ouvi meu sobrenome onde trabalho. Escuto estrondosas risadas todos os dias, as salas de café estão sempre cheias de suecos rindo e conversando sobre os assuntos mais diversos. Ternos? Gravatas? No ambiente de trabalho? Não na Suécia. Usa-se jeans, tênis e camiseta. Se nas relações profissionais são assim, nas pessoais não poderiam ser diferente. De modo geral as pessoas são muito simpáticas. “Jag prata inte Svenska” (Não falo sueco). “OK, no problem!” Conversa-se em inglês. Problemas com o cardápio em sueco sem tradução para o inglês? O garçom traduz. Dúvida sobre o que pedir? O garçom te ajuda. Precisa de mais tempo para pensar? Sem problemas, fique a vontade. Recebeu um convite para visitar a casa de algum amigo sueco? Leve flores, entre, tire os sapatos, tome café na mesa da cozinha e relaxe.

Não acredito que todos concordem, mas minha experiência indica que na Alemanha seria bem diferente… Camisas e gravatas perfeitamente passadas. Sapatos exibindo lustre recente. Silencio absoluto e imperativo. Pessoas sérias e concentradas. Boa sorte se não fala alemão. Seja rápido em apontar algo para o garçom antes que ele perca a paciência e deixe você falando sozinho. Amizade? Convite para visitar a casa de alguém?… Sente e espere!

Novamente reitero que este texto é apenas a opinião de um observador despretensioso e supostamente isento. Descobrir a informalidade sueca me fez ver como o preconceito pode ser danoso e como é importante controlá-lo aos menores índices possíveis. Além disso, deixa exposta uma das razões pelas quais a Europa é o berço da civilização. A Europa é muito maior que limites geográficos e muito mais rica que seus castelos e palácios centenários. A riqueza européia está na diversidade do material humano.

Waffle

Vocês devem estar pensando: -”waffle de novo?”. Sim!!

No Brasil, eu e Maxwell gostávamos de frequentar o Fran’s Café que possui um ambiente agradável para refeições rápidas e às vezes mais “longas”. Tenho boas recordações deste local onde tivemos muitas conversas, fizemos planos, dividimos sonhos, angústias…

Pra mim, tinha um momento que era sempre o mais dificil: escolher o que comer! O cardápio, ao invés de me ajudar, me atrapalhava!!! sempre tinha fotos maravilhosas, rs. Além do tradicional pedido da tortinha de frango com salada, tinha algo que sempre ficava me chamando: -”me peça, me peça”: sim, era o waffle com nutella!

Sempre que comia pensava: – “quero muito um aparelho de fazer waffle!” . Na época do casamento não consegui comprar, ora porque não encontrava, ora porque tinha que reduzir gastos e a vontade foi passando.

Chegando na Suécia, não é que encontrei uma variedade enorme desses eletrodomésticos! Mas acabei me contentando com um waffle comprado que “dava pro gasto”; porém ontem, após escrever o post e receber os cadernos de ofertas da semana, encontrei “a” promoção!!! era imperdível!! (dramática!) rs

Sai a tarde para comprar e adivinha o jantar??? waffle com geléia de blueberry e um resto de nutella que tinhamos. Eu parecia criança com o brinquedo novo!! Tá certo que não ficou lá essas coisas, mas aos pouquinhos vamos aprendendo a fazer um waffle delicioso!! rs

ps: Buscando o site do Fran’s café tive uma agradável surpresa: a foto de entrada do site tem o waffle crocante com chocolate!!!!!! aaaaahhhh… que delícia!!! Eeeee trem bão como diriam os mineiros…Eeeee coisa boa como diriam os falantes da língua da coisa que é mulher do coisa…que tá naquela coisa ali em cima…rs

Våffeldagen

Hoje, 25 de março é celebrado do dia da Anunciação da Virgem (Lady Day), e aqui na Suécia essa data possui o nome de Vårfrudagen que falando rápido soa como Våffeldagen (waffle day=dia do waffle).

Hoje também marca o início da primavera e nada melhor do que comemorar comendo waffles!! Muitos suecos renunciaram a parte religiosa do dia, porém continuam com a tradição de comer waffles na sobremesa com geléia de frutas e creme.

Para saber mais:

wikipedia

Notes from Sweden

Scandinavia Travel

Coop

Foto

Dez coisas sobre a Suécia 4: café

Kaffe, Coffee, Kafe, Cafè, Caife, Caffè… CAFÉ!

Essa bebida originária da Etiópia e difundida pela Arábia é muito apreciada ao redor do mundo, porém, para os Suecos é mais que apreciada, é praticamente água!!

Desde os primórdios, a cultura do café é tão forte que, durante um período na Arábia, foi promulgada uma lei permitindo à mulher pedir divórcio, se o marido fosse incapaz de lhe prover uma quantidade diária da bebida.

Para algumas pessoas o ato de beber café é um ritual, desde o modo de moer, torrar até sua preparação e claro, como não poderia deixar de ser, o momento de apreciar a bebida. Os Suecos bebem café em qualquer ocasião, tanto social quanto profissional; para eles esse ritual (digamos assim) é chamado de fika, momentos em que as pessoas conversam (sobre qualquer assunto), tomam café e comem alguns quitutes. O fika pode ser comparado com o coffe break geralmente realizado em eventos.

O tradicional café sueco é mais forte que o americano e não “existe” (leia-se: não são aceitos) os famosos descafeinados americanos. As conhecidas variedades italianas (expresso, cappuccino, caffe latte), também podem ser encontradas em grande parte das cafeterias da Suécia.

O Brasil pode ser o maior produtor de café, porém um dos maiores consumidores é a Suécia! É estimado um consumo per-capita de 10 kilos para uma população de 8 milhões, em contrapartida, o consumo per capita no Brasil é de 4,65 kg para 160 milhões de habitantes!

Portinari, C. – Café, 1935 óleo sobre tela, 130 x 195,4 cm

Impressão: quem me conhece, sabe que não sou a pessoa mais entendida e ligada em café; pouquíssimas pessoas me viram tomar café; porém, aqui na Suécia o aroma do café é instigante, você sente necessidade de beber, de preferência com um bullar ou um muffin. Os suecos não adoçam o café, e por isso, os acompanhamentos preferidos são os doces (que aliás, por aqui não tem quase nada de açúcar). Não virei uma consumidora frenética de café, mas o cafezinho do fim de semana tornou-se sagrado (sábado e domingo, eu e Maxwell tomamos café no café da manhã, com muffin ou algum cookie (que aliás existem vários bullar, biscoitinhos, muffins e afins para acompanhar o café – esse assunto merece um post a parte! – VEJA ALGUNS LINKS ABAIXO!).

Quer ver os docinhos suecos? acesse os posts: Doce Sueco: Semla, Doce Sueco 2: Arraksrullar, Doce Sueco 3: receita de arraksrullar, Dez coisas sobre a Suécia 7: fika, kanelbullar, kanelbullens dag

Portinari, C. – O Lavrador de Café, 1939, Óleo sobre tela 100 x 81 cm (Acervo MASP)

DESER – Departamento de estudos sócio-economicos rurais

MASP – Museu de Arte de São Paulo

MNBA – Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro

Atualizado em 14/04/2011

Bacalhau fresco ao forno com batatas e queijo

Sempre gostei muito de peixe, especialmente o bacalhau que minha tia Neoly faz tradicionalmente toda sexta-feira santa. Quando mudamos para Suécia, sabia da possibilidade de comer bacalhau fresco, porém não tinha idéia da facilidade de encontrá-lo; em qualquer mercadinho existe bacalhau fresco, assim como vários outros tipos de peixe; salmão também é muito fácil e barato. (que delícia!!!)
Após comprar 400gramas de bacalhau, e colocar na cabeça que não queria grelhado, fui em busca de receitas na internet. Logo de cara me interessei por uma receita encontrada no blog da Carla Duclos, o entre panelas. Gostamos tanto que já preparei 2 vezes!! (fazendo jus ao que sempre quis: comer peixe 1x por semana, pelo menos!!)
Adaptei algumas coisinhas: utilizei batatas congeladas, aumentei a quantidade de cebola, não coloquei gengibre. Temperei o peixe com alho, limão, pimenta branca, pimenta preta, “herbes de Provence”* e polvilhei noz moscada ralada na hora por cima do queijo. Como utilizei batatas congeladas, levei-as ao forno antes do peixe para assá-las melhor.
Dica da Carla: “Na receita original as fatias de batatas são colocadas ao redor do peixe cruas. As que eu usei eram parcialmente cozidas. Se for usá-las cruas, fatie bem fino”.

Bacalhau fresco ao forno com batatas e queijo

Ingredientes
rendimento: 2 porções
300g de bacalhau fresco
350g de batatas fatiadas em rodelas
1/2 cebola pequena em rodelas
2 fatias de queijo gouda
sal, gengibre em pó, orégano, pimenta do reino, limão e azeite de oliva para temperar
Modo de Preparo
Aqueça o forno a 200°C; tempere o peixe com sal, gengibre em pó, limão e azeite de oliva e coloque-o no centro de uma travessa. Coloque a cebola por cima do peixe e distribua as batatas ao redor do peixe e por cima delas coloque um pouco de sal e orégano. Jogue a pimenta por cima de tudo e regue com um pouco de azeite de oliva. Leve a travessa ao forno por 20 minutos; retire do forno, cubra o peixe com as fatias de queijo e volte ao forno para derreter o queijo.
*Herbes de Provence: mistura de ervas secas típicas da região de Provence, na França. Originalmente é utilizado manjericão, segurelha, tomilho, erva doce, flores de lavanda e outras ervas. A que utilizei contém: alecrim, manjerona, tomilho e segurelha. A marca masterfoods comercializa essa erva no Brasil.

Gosta de frutos do mar? não perca a receita de moqueca de camarão

Aniversário 5: meu pai!

Eeeeeehh!!!!!!!! Hoje é dia de festa! É aniversário do meu paaapai, Francisco. O leitor mais assíduo deste blog!

Pai, você sabe que eu gostaria muito de estar ai praaaa…comer o bolo claro…neeeej*… pra abraçar e dar muitos beijos em você!! Desejo um feliz aniversário repleto de amor, saúde e tranquilidade!!

Não esqueça: exija seu ovotar!

Muitos beijos e abraços apertados!! lembre-se sempre: amo muito você!!! saudades!

*nej: (nei) “não” em Sueco!

Muffin de Compota de Maçã e Canela

Neste fim de semana fiz o muffin de maçã que o Maxwell queria. Esse muffin é saboroso, macio, porém um tiquinho gorduroso, devido a mistura manteiga + nozes! Gostei, mas já tenho em mente a principal modificação: diminuir um pouco da manteiga ou das nozes.

Muffin de compota de maçã e canela

medida dl=100ml

Ingredientes receita original

115g de manteiga sem sal em temperatura ambiente

1,25dl de açúcar

2 dl de farinha de trigo

2 ovos

115g de compota de maçã sem açúcar (a que usei tinha um pouquinho de açúcar)

3/4 de colher de sopa de canela em pó

Um pouco mais de 1 dl de uva-passa

1 dl de nozes picadas

1 maçã cortada em fatias finas

2 colheres de sopa de açúcar cristal para decorar

Modo de preparo

Pré aqueça o forno a 175°. Separe 12 formas de papel para muffin ou a forma especial para muffin.  Bata na batedeira a manteiga, o açúcar, a farinha e os ovos por cerca de 2 a 3 minutos. Acrescente a compota, canela, nozes e uva passa. Coloque a massa nas forminhas e, por cima de cada um, coloque maçã fatiada e polvilhe um pouco de açúcar cristal. Asse por 25 minutos. Deixe esfriar cerca de 5 minutos e sirva morno.

Ps: a receita original pede para bater a farinha, entretanto fiz o seguinte: bati a manteiga, os ovos e o açúcar; ainda com a batedeira ligada, adicionei a compota, as nozes e as uvas passas; desliguei a batedeira e acrescentei a farinha aos poucos e por último o fermento (a receita não pede fermento, porém adicionei 1/2 colher de sopa).

Dica: preencha bem a forminha, eles não crescem muito.

fonte: Connolly, Fergal. 500 muffins. Den enda bok med muffins du behöver. Tukan Förlag. ed sueca.

Gosta de muffins? não perca as receitas: muffin de lavanda e muffin de passas ao rum