Archive | Fevereiro 8, 2010

Dez coisas sobre a Suécia 2 : FARMÁCIA/APOTEKET

Antes de vir para a Suécia confesso que tinha a imagem de que aqui era muito dificil comprar remédios, que era tudo com receita médica; porém não é bem assim que a coisa funciona.

No Brasil, infelizmente, o hábito de comprar remédios sem prescrição médica é muito comum; não vou ficar posando de santa e falar que não faço isso, faço sim! aliás, confesso que compramos alguns remédios que estamos acostumados a tomar para trazer (para emergências que pretendo não ter!).  Não quer dizer que defenda esse hábito; porém é muito fácil e prático.

Diferentemente do Brasil, que possui uma farmácia em casa esquina, na Suécia só existe uma, que é estatal. Muitos medicamentos podem ser comprados sem receita médica, alguns geralmente com uma porcentagem menor do principio ativo (e.g. o analgésico ibuprofeno é vendido sem prescrição de 200 e 400mg, no Brasil temos livre acesso a 600mg).

Outra diferença, no Brasil, levamos a receita conosco; aqui nem passa na nossa mão, o médico manda a receita via computador para a apoteket.

Na Apoteket, existe a preocupação de orientar as pessoas; nas prateleiras dos remédios, digamos livres, existem livretos com informações sobre várias doenças. No site também são oferecidas informações e orientações e até quais remédios são indicados.

Como tudo tem dois lados: no Brasil é tudo mais fácil, podem falar o que for do nosso serviço de saúde, mas se você passar mal às 2:30 da manhã você consegue atendimento, pode não ser o melhor, mas você consegue; se você precisar de um remédio novamente às 2:30 da madrugada você consegue. Por aqui não, a farmácia fecha às 18:00, não abre aos domingos, e muito menos faz o esquema “plantão”! (Em Estocolmo abre aos domingos)

Acho interessante o método sueco, particularmente não gosto do marketing e indução ao consumo de medicação que existe no Brasil; às vezes tenho a impressão de que as indústrias farmacêuticas estão apenas preocupadas no aumento de vendas (será que só eu tenho essa impressão?). Outra crítica: e o esquema entre propagandistas e médicos? quanto mais prescrever tal remédio terá bônus, presentes, viagens e congressos de graça???? entre outras coisas que não faço idéia (sim, já trabalhei com médicos e já ouvi e vi muito disso!!!! outra coisa: tá bom, não vou generalizar, existem médicos e médicos).

Acho importantíssimo os estudos e avanços da farmacologia, medicina bem como ciência, porém deixo claro: não gosto da indução ao uso de medicamentos. Me dá agonia de pensar num hipocondriaco olhando um folheto de farmácia com as promoções do mês!! é disso que não gosto, não estamos falando de um folheto com as promoções da semana do supermercado, e sim de saúde!!!

Penso que por aqui eles talvez eles levem a saúde um pouco mais a sério e não induzem o consumo exagerado de medicamentos. Não quero entrar em questões políticas, culturais nem comparar qual país é melhor, novamente sou contra a indução ao uso de medicamentos!

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Não deixe de conferir o post do dia 31/03, com as mudanças na regra da venda de medicamentos!